Fotobiomodulação no pós-procedimento estético: como a luz pode ajudar a pele a sair da inflamação e entrar na fase de reparação?

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Lasers ablativos, peelings, microagulhamento e outros procedimentos estéticos produzem uma agressão controlada para estimular a renovação da pele. O mesmo processo que favorece a produção de colágeno e a remodelação tecidual, porém, também pode causar manchas vermelhas na pele, edema, desconforto, descamação e hiperpigmentação pós-inflamatória.

Por isso, o pós-procedimento não deve apenas “acalmar” a pele. Ele precisa criar condições para que a inflamação cumpra sua função inicial e dê lugar, no momento adequado, à regeneração.

Nesse contexto, a fotobiomodulação, também conhecida como LEDterapia, vem sendo estudada como recurso adjuvante para modular a resposta inflamatória e favorecer o reparo sem produzir uma nova agressão ao tecido.

Fotobiomodulação no pós-procedimento estético: o que acontece na pele depois de um procedimento ablativo?

Um estudo publicado no PLOS ONE1 analisou biópsias de 14 mulheres antes e entre 1 e 28 dias após um tratamento com laser fracionado ablativo. 

Inicialmente, predominaram genes relacionados ao estresse, à resposta imunológica e à reparação da epiderme. Nas semanas seguintes, ganharam espaço processos dérmicos associados à atividade dos fibroblastos, à produção de colágeno e à reorganização da matriz extracelular.

Isso mostra que a recuperação não é um evento simples. A pele passa por uma sequência coordenada de:

  • resposta ao dano; 
  • inflamação; 
  • reepitelização; 
  • e remodelação. 

A inflamação é necessária, mas sua intensidade e duração precisam ser controladas para que o tecido avance adequadamente para as fases seguintes.

Por que a inflamação pode deixar manchas?

A hiperpigmentação pós-inflamatória ocorre quando mediadores produzidos durante a inflamação estimulam os melanócitos e aumentam a produção ou a transferência de melanina. Isso pode acontecer em todos os fototipos. 

Procedimentos que provocam inflamação, como lasers, peelings e outras intervenções dermatológicas, podem desencadear ou agravar o quadro.

Fotobiomodulação no pós-procedimento estético: como funciona?

O objetivo da fotobiomodulação não é “desligar” completamente a inflamação. É contribuir para que o tecido evite uma resposta desproporcional e avance para as fases proliferativa e de remodelação de maneira mais organizada.

A luz vermelha pode ajudar as células a lidar com os danos provocados pelo estresse. Em pesquisa, fibroblastos da pele expostos à radiação ultravioleta ativaram mecanismos naturais de reparo do DNA com mais eficiência após receberem luz vermelha e apresentaram menos danos celulares. Embora esse resultado venha de um modelo experimental, ele reforça a hipótese de que a fotobiomodulação possa apoiar as defesas da pele durante a recuperação.2

Outro estudo publicado em março de 20263 mostrou que a fotobiomodulação com luz infravermelha de 830 nm favoreceu a atividade dos fibroblastos, células fundamentais para a cicatrização. Mesmo em condições que costumam dificultar o reparo, como excesso de glicose e baixa disponibilidade de oxigênio, as células apresentaram maior capacidade de sobreviver, multiplicar-se e deslocar-se até a área lesionada.

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O que os estudos mostram sobre downtime e pigmentação?

Downtime é o período de recuperação após um procedimento, quando a pele pode apresentar vermelhidão, inchaço, descamação, sensibilidade e outras reações visíveis.

Em 2024, um estudo de caso discorreu sobre uma paciente com maior risco de hiperpigmentação que recebeu luz vermelha de 630 nm antes e depois do laser de CO₂ em apenas um lado da face. O lado tratado apresentou menos manchas do que o lado sem fotobiomodulação.4 

Revisões publicadas em 2026 também encontraram resultados favoráveis da luz vermelha e infravermelha na recuperação de cicatrizes e feridas, com melhora de aspectos como cor, elasticidade, espessura, circulação local e redução da área lesionada. Elas reforçam o potencial da fotobiomodulação para reduzir o tempo de recuperação e favorecer uma reparação mais equilibrada5,6.

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Perguntas frequentes

1. O que é a fotobiomodulação no pós-procedimento estético?

É o uso da luz vermelha e/ou infravermelha como recurso complementar para modular a resposta inflamatória e favorecer o reparo dos tecidos após procedimentos como lasers, peelings e microagulhamento. 

O objetivo não é substituir o tratamento principal, mas apoiar a recuperação da pele.

2. A fotobiomodulação pode reduzir o downtime?

Sim, as evidências científicas sugerem que a fotobiomodulação pode contribuir para uma recuperação mais equilibrada, reduzindo sinais inflamatórios como vermelhidão e favorecendo o reparo tecidual. 

No entanto, o tempo de recuperação depende de fatores como o procedimento realizado, o fototipo, o protocolo utilizado e as características individuais de cada paciente.

3. A LEDterapia previne a hiperpigmentação pós-inflamatória?

Os resultados disponíveis são promissores, especialmente em pacientes com maior risco de desenvolver hiperpigmentação. Dito isso, os estudos clínicos são mais frequentes em pacientes com pele já hiperpigmentada e que buscam remissão do caso.

4. Qual é a diferença entre a luz vermelha e a infravermelha na fotobiomodulação?

A luz vermelha atua principalmente em tecidos mais superficiais, enquanto a infravermelha alcança camadas mais profundas. Em muitos protocolos, os dois comprimentos de onda são utilizados de forma complementar para favorecer diferentes etapas do processo de reparação.

5. Em quais regiões do corpo a fotobiomodulação pode ser utilizada?

A aplicação depende da avaliação e do objetivo clínico. A fotobiomodulação pode complementar protocolos em diversas áreas do corpo submetidas a procedimentos estéticos, desde que sejam utilizados equipamentos adequados e registrados na Anvisa, como a Sportllux Adapt.

Referências bibliográficas científicas

  1. SHERRILL, Joseph D. et al. Transcriptomic analysis of human skin wound healing and rejuvenation following ablative fractional laser treatment. PLOS ONE, v. 16, n. 11, e0260095, 29 nov. 2021. DOI: 10.1371/journal.pone.0260095. Disponível em: <https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0260095>. Acesso em: 15 jul. 2026. 
  2. KIM, Yeo Jin et al. A protective mechanism of visible red light in normal human dermal fibroblasts: enhancement of GADD45A-mediated DNA repair activity. Journal of Investigative Dermatology, v. 137, n. 2, p. 466–474, fev. 2017. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0022202X16324824>. Acesso em: 15 jul. 2026. 
  3. KASOWANJETE, Patricia; KUMAR, Sathish Sundar Dhilip; HOURELD, Nicolette. Photobiomodulation at 830 nm with 5 J/cm² does not promote PI3K/AKT/mTOR signalling pathway activation in hyperglycemic wounded cells. Lasers in Medical Science, v. 41, n. 1, p. 60, 27 mar. 2026. DOI: 10.1007/s10103-026-04859-8. Disponível em: <https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13021734>. Acesso em: 15 jul. 2026. 
  4. BAROLET, Augustin C.; BAROLET, Daniel. Reducing carbon dioxide laser-induced postinflammatory hyperpigmentation with prophylactic photobiomodulation: a case study. Photobiomodulation, Photomedicine, and Laser Surgery, v. 42, n. 5, p. 339–342, maio 2024. DOI: 10.1089/photob.2023.0184. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38776545/>. Acesso em: 15 jul. 2026. 
  5. GAUMOND, Simonetta I. et al. Red and near-infrared photobiomodulation for burn, hypertrophic, and post-surgical scars: a scoping review of clinical trials. Lasers in Medical Science, v. 41, n. 1, p. 80, 24 abr. 2026. DOI: 10.1007/s10103-026-04875-8. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42026334/>. Acesso em: 15 jul. 2026. 
  6. MIRANDA, Mariana Bezerra; BARROS, Ana Carolina Silva; PAULA, Ana Vitoria Lima de; ALVES, Rayana Fontenele; ROCHA, Rebeca Barbosa da; CARDOSO, Vinicius Saura. Clinical dosimetry and efficacy of LED photobiomodulation for chronic lower-limb wound healing: a systematic review of randomized trials. Lasers in Medical Science, v. 41, art. 117, 19 jun. 2026. Disponível em: <https://link.springer.com/article/10.1007/s10103-026-04928-y>. Acesso em: 15 jul. 2026. 
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